domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ela percebeu tudo



Ela percebeu tudo,mas nada podia fazer. É a beleza das coisas perfeitas. E a música? footsteps on the dance floor. Atravessa o corpo e pinta-me por dentro. E quero rir só porque sim. E rir só porque não. E ela que percebeu tudo. E saio só para ficar relaxado, ou para ir a lado nenhum. E há aviões que sobrevoam viadutos. Ecos nas esquinas vazias. Rumores das vozes saidas das casas com portas pequenas. E a música? And the music don´t feel like it did. And the music don´t feel like it did. E rir. E um reflexo só meu. Só meu. E engloba tudo desde sessões de sexo torrido a domingos de cinema em casa com deprimentes meias de lã. Acordar e adorar segundas feiras. Crescer no inverno e descansar no verão, porque crescer cansa. E a música? I'll be true. tear drops in my eyes, next time i'll be true. Há velhos sentados nos bancos do jardim. Adolescentes que se beijam na boca depois do liceu. Tenho rótulos nas prateleiras da dispensas e na cabeça. Produtos prontos a consumir. Que as nossas cabeças comtinuem redondas apenas para os nossos pensamentos poderem mudar de direcção. Direcção. E a música? Perfeita. É a beleza das coisas perfeitas. And the music? Dont´t feel like it did. And the music? Don't feel like it did

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O estado a que o Estado chegou

Alguma coisa vai mal quando:

um (muitos!)funcionário/director público aufere cerca de 4.500 euros de ordenado e 11.500 euros de subsídios! e o espaço infantil de uma biblioteca municipal fecha de tarde, porque não há dinheiro para contratar um funcionário.

um (imensos!)funcionários/administradores públicos ganham prémios de gestão em empresas com prejuizos constantes! e núcleos museológicos com um imenso e valioso património histórico, como instituições culturais importantes, mantêm-se fechados por falta de verbas.

um assistente/secretário de um ministério público ganha mais do que o ministro/a e há alunos a levar cobertores para a escola porque têm frio nas aulas.

um Estado manda cortar nos salários públicos, nas pensões, nos abonos de familia, etc. e três ministérios aumentam a despesa salarial.

um Estado impõe medidas draconianas para reduzir a despesa e a despesa... aumenta!


O Estado vai mal neste estado...


Sempre evitei escrever aqui sobre politica, mas neste estado a que chegou o Estado... quase que imploro que venha o FMI, porque só tem medo do FMI, quem anda a enriquecer à nossa conta.

Os nossos governantes apelam à contenção mas eles próprios não se contêm em gastar o que não é deles e em muitos casos, em benefício próprio. Assim estão a levar o país à banca rota. Depois vão-se embora e quem fica com a conta e com juros elevados para pagar, somos nós e os que hão-de vir...

Enquanto não houver uma Lei que criminalize quem prejudicou gravemente o estado por gestão danosa e a Lei não for respeitada, este país não sai do lodaçal.

E lamento profundamento que os votos em branco não sejam representados na assembleia da república por cadeiras vazias. Mas não deixarei de o fazer, de votar em branco enquanto só houver partidos e politicos que se servem a eles próprios, em vez de servirem o país e o povo.

Mas o estado a que chegou o Estado e os políticos que temos, também é responsabilidade nossa, ou a abstenção não tivesse a maioria absoluta que tem.

Anjos de Port Au Prince

O terramoto que abalou a igreja de deus (Christchurch), na Nova Zelândia, trouxe-me à memória estes anjos (fantasmas) de uma terra (fantasma) esquecida.


Num promontório de Port-au-Prince, as crianças deficientes do orfanato Village Espoir olhavam serenamente a cidade em ruínas.
Cordilheiras de entulho e cadáveres a arder, avessos obscenos, plasmas orgânicos e minerais, o humano e o que lhe pertence, naturalmente fundidos.
Os mortos ainda tinham os braços levantados, os olhos abertos. Imobilizados no preciso momento em que o ímpeto vital lhes foi mais intenso. O momento decisivo.
A cidade estava aos pedaços e as pessoas vagueavam em terror sobre os escombros, mas não em qualquer zona. Algumas permaneciam inexplicavelmente vazias. Tornaram-se de súbito inóspitas, mesmo para quem sempre lá viveu.
É curioso como ao se envolverem de morte, as pedras se tornaram vivas como monstros. Era preciso coragem para as olhar de frente, e muitos não a tinham. As ilusões de óptica são traiçoeiras. O que parece um ferro torcido pode ser o braço de um irmão. O pedaço de um pneu rasgado pode ser a cabeça de um filho. Nunca se sabe o que se vai encontrar por baixo de uma placa de betão, no interior de um carro esmagado. Ou quem.
A certas zonas não se ia. Era melhor deixá-las no seu zumbido, o seu monólogo, os seus sinistros enredos telúricos. Um ser humano não tinha nada a fazer ali.
Subi ao ponto mais alto da cidade, de onde se via tudo. No orfanato Village Espoir um grupo de crianças fora colocado à parte. Eram uns 20 meninos e meninas em cadeiras de rodas, dispostos num terreno ao ar livre. Estavam ao sol, abrasador, e as moscas atacavam os que tinham mais dificuldades em se mover. Uns eram paraplégicos, outros vítimas de poliomielite, tinham os membros paralisados ou deformidades no corpo. Uns eram esqueléticos, outros faziam movimentos espasmódicos, mas nenhum me pareceu estar triste.
Olhavam a cidade destruída como se fosse um mundo que não era o seu. Como se o espectáculo da tragédia absoluta fosse para eles até motivo de algum divertimento. Talvez o alheamento ou a falta de discernimento se devessem às suas doenças, mas a verdade é que os meninos deficientes da Village Espoir sorriam. Os seus olhos negros e remelentos pareciam dizer: Já cá estávamos. Isto para nós não é nada.
A sua incapacidade e dependência não os levava a estarem aflitos. Tal como na noite cerrada um cego é o único que vê, eles pareciam encontrar na catástrofe o seu elemento. Ao contrário do que aconteceu com as outras pessoas, na sua vida nada mudou, excepto a própria diferença.
Um artista que conheci em Port-au-Prince disse-me que, depois do terramoto, as pessoas passaram a olhar-se de forma diferente. Pela sua desmesura, o sismo foi sentido como um destino para todos, e a sobrevivência como um milagre.
Ter sido poupado equivalia a uma insuportável cumplicidade com o monstro, e talvez por isso tantos testemunhos falem da felicidade, não de ter escapado, mas de ter renascido. É essa a forma como as pessoas se olham – como se nunca se tivessem olhado.
A sociedade haitiana é violenta, e não ficou melhor depois do terramoto, mas agora os homens fitam-se com um certo assombro. Um respeito que as circunstâncias impõem.
Cada ser humano é um prodígio. E é à luz desta lógica nova que não faz diferença nenhuma ser-se normal ou uma criança numa cadeira de rodas.
Agora, como nunca, naquele monte de onde se avista a cidade em escombros, os meninos deficientes do Haiti são anjos como todos os outros.

In PÚBLICO, por Paulo Moura.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sensivel ao toque, mas iphode-se tocar à vontade

Ao que consta, anda por ai muito boa gente frustada/arreliada/irritada com a sensibilidade ao toque dos seus brinquedos, vulgo telemóveis-de-última-geração/iphad/iphone/iphode, etc.

Meia duzia de toques e já era/bloqueia/avaria/crasha

Que insensibilidade...

Nada como o material biológico. Phode-se tocar à vontade que nunca se avaria, não precisa de bateria e nunca se gasta. E com algum empenho a satisfação é garantida e não depende de terceiros (embora a conexão a dois seja muito mais satisfatória).

Vá-lá, srs. da Aplle (lê-se áple e não eiple), Microsoft e afins, beat this!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Desculpa Deolinda, mas estás enganada

Geração parva? Geração rasca? Geração à rasca? Nunca uma geração teve tantas condições. Nunca uma geração teve tantas oportunidades de escolher/frequentar um curso universitário. Nunca uma geração teve tanto apoio económico ou social. Nunca uma geração teve tantos meios como a internet, bibliotecas, cursos, workshoops, informação, telemóveis, meios de transporte, casa dos papás, mesada para noitadas. Geração preguiçosa, isso sim! Nem para votar se levantam do sofa. Se não gostam de quem nos governa. Se não gostam da oposição, pelo menos votem em branco. Dizer que não resolve, é fácil. Reclamar no café com a barriga cheia, é fácil.

Fácil não é com certeza a vida da S. que tirou um curso superior que não lhe arranjou trabalho. E ela reclamou? Sim, mas fez-se à vida e está perto de acabar um segundo curso com mais perspectivas de emprego. E não teve papás para lhe pagarem os estudos. Teve que trabalhar a muito custo num centro de explicações.

Fácil não é a vida do F. que apesar de viver em casa dos pais, dá aulas e levanta-se ás 4 da manhã para frequentar o conservatório de Sevilha, para ter um futuro melhor. O curso de economia deu-lhe emprego? Não, mas deu-lhe a música, porque não foi parvo. Parva não é a Deolinda também, nem esta geração. Parvos são os papás que alimentam uma geração preguiçosa.

Nada no mundo é a preto e branco. Há uma infinidade de tons de cinzento. Num mundo ideal os empregados que não gostam ou não precisam de trabalhar, dariam o lugar aos desempregados que querem trabalhar.

Num mundo ideal, o Taguspark não pagaria, com dinheiro público, 350 mil euros ao Figo por 4 horas de publicidade.

Num mundo perfeito, os donos de pequeno comércio e mercearias não pagariam uma taxa de IRC superior à que pagam os bancos.

Num mundo ideal, o bastonário da ordem dos advogados não viria a público denunciar juizes e procuradores do ministério público de pré-combinarem sentenças, transformando os julgamentos em mediocres peças de teatro.

Num mundo perfeito toda a gente teria emprego. Mas o mundo não é perfeito. E só nos resta fazer parte do problema, ou da solução. A escolha é nossa.

Geração parva? Sim, se forem na cantiga e não mexerem o rabinho.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

É a super-mulher?É um furacão?Não, é a mulher em movimento!

Houve uma altura na minha juventude em que fiquei sériamente preocupado com o futuro da mulher e do homem. Na altura acordava e a primeira coisa que os meus olhos focavam era, não os seios, mas o decote da Linda Carter, e depois os calções super justos do seu fato de Super-Mulher. Era-me inconcebivel, imaginar um mundo onde homens e mulheres vestissem igual e fizessem as mesmas coisas, como apregoavam as feministas na altura, com cartazes e slogans de igualdade para ambos os sexos. Mas que piada tinha agora uma mulher andar vestida de fato e gravata (algo que agora considero bastante sexy) e um homem de saia a fazer de babysitter?!

Entretanto cresci e fiz-me homem. E homem que é homem cospe no chão, bate na mulher e diz palavrões.Não, não. Não desses. Embora de vez em quando não consigo evitar chamar nomes ao árbitro e largar um palavrão quando vejo a conta do dentista. Fiz-me homem com cada vez mais apreço e admiração pela mulher moderna e detentora de todos os mesmos direitos e deveres que nós homens sempre tivemos. Agora elas já não se calam, não se subtraem e tem voto na matéria. E respirei de alívio ao constatar que as saias para homens não sairam da Escócia e as mulheres continuam a exibir aquilo que as torna tão femininas. Quisesse Deus (ou o que quer que seja que nos tenha criado) que fôssemos todos iguais, além das raças e cores não nos teria diferenciado entre homens e mulheres. Pertencíamos todos ao mesmo género e o assunto estava arrumado.

Felizmente Deus teve bom senso e vivam as diferenças (mas que monotonia isto seria se assim não fosse). E esta nova mulher, emancipada e independente pos-se a mexer. Além do emprego e das reuniões de trabalho, dos filhos, da casa, ela tem sempre imensas coisas para fazer e quando não tem, inventa. Ela vai à ginástica, vai ao cabeleireiro, tira cursos de teatro de pintura, viaja sozinha, vai a exposições, cinema, clubes de leitura. É uma mulher em movimento. É uma mulher interessante. E se o homem é por natureza predador, e a mulher uma presa, então uma presa em movimento, que de muito mais luta, é uma presa muito mais interessante. E isto tem muito que se lhe diga, pois quando damos conta, a presa já saltou do sofá e anda sabe-se lá por onde, obrigando o caçador a voltar a caça-la e isto tem mais piada do que ter uma presa sossegadinha em casa, deitada no sofa a bocejar. E já dizia Bukowski: não podemos estar sempre nem a comer, nem a dormir nem a foder, por mais que queiramos, e por isso é que inventaram a filosofia.

Estas mulheres em movimento assustam muitos homens. A ideia da mulher ter a sua propria vida é algo que muitos homens não aceitam e outros perferem ter menos trabalho, optam por uma sossegadinha que dê menos trabalho. Mas isso é lá com eles, a mim não me assustam nada, pelo contrário, fascinam-me. Se uma mulher em movimento ainda consegue arranjar tempo para mim, é porque se importa verdadeiramente. E quando não tem, que seja quando o Benfica joga.

Mulheres sossegadinhas, pela vossa saúde, mexam-se!!!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Nina: Vim pedir-lhe o papel.
Leroy: A verdade é que, quando eu olho para ti, só vejo o Cisne Branco. Sim, és muito bonita, tímida, frágil - o casting perfeito. Mas então e o Cisne Negro? É um trabalho fodido fazer os dois.
Nina: Eu também consigo fazer o Cisne Negro.
Leroy: Ah, sim? Em quatro anos, sempre que danças, vejo-te obcecada em fazer cada movimento na perfeição, mas nunca te vi deixares-te ir. Nunca! Toda essa disciplina para quê?
Nina: Só quero ser perfeita (murmura)
Leroy: O quê?
Nina Eu quero ser perfeita.
Leroy: A perfeição não tem só a ver com controlo. Também tem a ver com soltar-se. Surpreender o público. Transcendência! Muito poucos a têm.
Nina: Eu acho que a tenho.

Argumento: M. Heyman, A. Heinz, J. McLaughlin

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cisne Negro

Eu sabia que este blog ia dar nisto...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O cabo dos trabalhos...


Gaivotas em terra, mau tempo no mar. Politicos no ar, em terra não ficar. Isto só para rirmar, que ao mar lá me fiz eu, e a carta de marinheiro tirar. E é quando descubro que muitas das nossas expressões populares tem a sua origem nos dizeres dos nossos antepassados marinheiros, pois quando ouvimos alguém dizer: "Poem-te na alheta!" não é mais que ir para a parte de trás do barco (assim apelidada: alheta). "Ganda cachola!" não é mais que a vara que liga ao leme e nos permite manobrar a embarcação. O Bombordo é uma expressão 100% portuguesa, usada em todo o mundo e refere-se ao lado esquerdo da embarcação. É que no tempo dos descobrimentos, o lado esquerdo significava... Africa! Dai o bom bordo (as caravelas ao sairem dos portos portugueses, tinham Africa do lado esquerdo). Também se aprende que as únicas "cordas" a bordo, são a corda do relógio e a corda do sino... as outras são CABOS! E o seu cojunto designado por "Massame". Ora no massame temos os cabos de massa, os de arame os solteiros e os fixos. Os solteiros são aqueles (e agora passo a citar) que estão livres e por isso prontos a trabalhar em qualquer local.... Os fixos são aqueles que fazem parte do aparelho fixo do navio e como tal, não servem para mais nada! E agora imagine-se! Os cabos solteiros, são os que estão metidos em ..."sarilhos"!! Que é o objecto onde se enrolam os cabos solteiros. E já a minha mãe me dizia em tenra idade:"Luisinho, Luisinho, não te metas em sarilhos!!!"

E depois há as marés, mar e mar, ir e voltar. Vamos lá ver se não me afundo, que em terra já só se governam as gaivotas e.... os abutres.

e não se metam em sarilhos, que é o cabo dos trabalhos...

sábado, 2 de outubro de 2010

Digam lá a verdade, mas afinal, o que é que querem?

e nestes dias quentes de verão, em que estive ausente, a viver a vidinha, recebi vários e-mails a questionarem-me se voltaria aqui a escrever. Eu próprio me questionei: «Mas escrever sobre o quê? A crise? O orçamento? O buraco da despesa pública? As alterações climáticas? A praga de mosquitos? O mau inicio de campeonato do Benfica?»
Mas afinal, o que é que é realmente importante? Sobre o que é que vale a pena escrever? O que é que é verdadeiramente importante e nos toca a todos? Sim, lá no fundo(não, não, não é a crise, esta não toca a toda a gente). E a resposta é tão básica e tão obvia: a felicidade. Todos desejamos ser felizes. Mas... o que é a felicidade? Qual a formula definitiva? Sim, porque para alguns, a felicidade é um golo do benfica, para outros são os números do euromilhões, ou ser promovido, ou comer um bom cozido. E depois encontramos pessoas felizes com tão pouco e em situações que para nós nos levariam à infelicidade, que só prova como a felicidade é tão subjectiva...
Entretanto vejo o ínicio de um filme: "Barreira Invisil", de Terrence Malick, e lembro-me de um estudo que põe no pódio da felicidade: Vanatu, um arquipélago da Melánesia!?, onde as pessoas tem um um grau elevado de satisfação com a vida. Ao contrário da industrial Alemanha, com uma elevada esperança de vida, com Iphones, BMW's e Mercedes. Mesmo assim, à frente dos organizadíssimos e limpinhos paises escandinavos: 112º Dinamarca, 115º Noruega e 123º para a Finlândia. E entre um mergulho no mar, ao sol de uma praia algarvia, penso no dinheiro, no consumo, numa elevada esperança de vida. Na escala de valores. Nos paises e pessoas ricas, que talvez se enganem em dar tanta importância ao dinheiro. De facto, no nosso sistema de valores, o dinheiro e o status ocupam os primeiros lugares. Ao contrário da avaliação que nos dão os "economistas da felicidade", que nos dizem que nada causa mais felicidade que as relações entre as pessoas, isto é, a vida em familia, os jantares de amigos, o convívio, o café com, os companheiros/namorada/o. A seguir vem o sentimento de ser útil (mesmo desempregados, podemos sempre fazer voluntariado), depois, segundo as circunstâncias, a saúde e liberdade.
Quem procura a felicidade na procura incessante de bem-estar material e de estatuto social para impressionar os outros revela um comportamento de carência. Aliás, o capitalismo leva consigo a lógica da insatisfação: quanto mais se tem, mais é preciso ter.
E nesta lógica, neste ambiente pesado de crise económica, acredito que o slogan deveria ser: Felicidade para todos e não o crescimento a toda a força da economia e do PIB, e o que isso implica: corte nas despesas e aumento do desemprego. Para mim, um leigo em economia, o pleno emprego é mais importante que o crescimento do PIB.
Um estudo recente revela que metade da população portuguesa tem dificuldades em sobreviver economicamente, no entanto, 70% dizem que são felizes e não é por acaso, pois ainda somos um povo que valoriza a familia e os amigos.
E quantos euros vale um beijo? Um abraço? Um mergulho no mar? Uma jantarada de conquilha acabadinha de apanhar com os amigos? Um passeio a uma terra desconhecida? Uma gargalhada? Um carinho de um cão ou gato? Observar o pôr do sol? Um obrigado?
Afinal a crise é de quê?

domingo, 12 de setembro de 2010

Gigante azul



é um baque enorme no coração. Um nó no estômago. Um aperto forte seguido de uma explosão de adrenalina. Um misto de Medo/Ansiedade/Euforia. As pernas correm. Correm para a frente mas com uma certa reserva. O coração bate mil à hora alimentado pelo medo/adrenalina que me estala nas veias. Entro na água calculando a corrente e a distância a que me encontro da mulher. Apenas vejo uma mancha escura no meio da espuma branca das ondas. Mergulho por baixo da espuma da primeira onda. Uma duas tres vezes, sempre tentando não perder a mulher de vista. Avisto um braço no ar. Os olhos ardem do salitro. As ondas repetem-se. Batem forte. Não dão tréguas. O som é ensurcedor. Têm vida própria. Entro na corrente forte. Nado rapido. Alcanço a mulher, mas não me aproximo. Vejo o medo nos seus olhos. Vermelhos de pânico. Grita por favor que a tire rapido dali. Entrego-lhe a boia e tento acalmar-nos com um sorriso e que está tudo bem, mas uma onda que nos engole por alguns segundos, desmente-me. Venho ao de cima e engulo o maximo de ar possível. Nado em direcção à costa. As ondas engolem-nos. A corrente é fortissíma e puxa-nos para trás. Bato os braços e as pernas com todas as forças. Grito à mulher para me ajudar e bater as pernas ao passar a onda. Sinto o esticam da boia de salvação estrangular-me o peito assim que a onda passa. Dou duas braçadas. Outra onda. Outro esticão. A onda cobre-me. A corrente puxa-me. A cinta estrangula. Respiro. Bato as pernas. Os braços. Os musculos doem. Abro a boca, tento respirar no meio da espuma. Vem de todos os lados. É um turbilhão. Levanto a cabeça. Vejo uma multidão na praia. Bato os braços as pernas. Sinto-me impotente. Engulo água. Abro a boca. Tento respirar. A onda submerge-me. Tento respirar. Parece que estou ali há uma eternidade. Já não sei com quem luto. Com o mar? Com a corrente? Com o medo? Oiço vozes. Vejo rostos. O meu pai. A minha mãe. Penso na morte. É estúpido demais. O medo. Bato os pés. Bato as mãos. Contra o medo. Contra o mar. O peito arde. Os olhos ardem. Os muscúlos doem. Não, tens que nadar. Tens que nadar. Sinto o esticam da cinta. A mulher ainda está agarrada à boia. O mar ruge como um demónio. As ondas vem de todo o lado. A espuma arde-me os olhos. é uma massa de água esmagadora. Um turbilhão violento. Sinto que não consigo sair dali. O ar é escasso. Já não penso em nada. Nado. Bato os pés. Bato as mãos. Bato os pés. Bato as mãos. Já não oiço o mar. Já não sinto os músculos. A dor desapareceu. O turbilhão ensurcedor desvanece-se em silêncio. E uma voz na cabeça. Não. Não é na cabeça. É o Duarte. Passa-me a cinta ligada ao carretel (uma corda de salvamento presa em terra a uma estrutura metálica). Sinto um puxão. Fecho os olhos. Agarro-me com toda a força. Sinto a cinta que me prende à mulher a estrangular-me o peito. Somos arrastados em direcção à costa. Deixo de nadar. deixo-me ir.Arde. As ondas empurram-nos. Oiço vozes. Vejo as pessoas na praia a aumentarem. Aproximamo-nos da costa. Os pés começam a tocar na areia. Temos pé. Algumas pessoas amparam a mulher e levam-na para terra. Largo a cinta e saio da água. Os bombeiros levam a mulher para o posto medico. Aparentemente está bem. Sento-me na areia para recuperar o folego. As pernas bambas e sorrio para o mar ainda com o coração a bombar adrenalina «ainda não foi desta». Estranha esta minha relação com o gigante azul. De amor, paz e tranquilidade, intensidade desassossego e extâse. O mar é sem dúvida feminino.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Nova estrevista com o Cusco!!!A não perder!


Bem, esta entrevista é difícil, tal a possibilidade de voltar a poder fazer perguntas (veja as outras entrevistas aqui e aqui)a uma tal sumidade... Cusco, o que podemos fazer para ter um mundo melhor?
-Paz e amor.
Mas como, se há cada vez mais casais infelizes e divorcios?
-Pois, isso é um grave problema. Quando as pessoas deixam de gostar uma da outra, ou quando um deixou de gostar, não há nada a fazer.
Mas como é que um casal, depois de juras de amor eterno, chega a esse ponto?
-A maior parte das vezes, eles são incompetentes como maridos e elas às vezes são muito melgas.
Incompetentes??
-Ora, o homem chega a casa e instala-se no sofá a ver a sport Tv e depois não faz nada e pior, não fala nada ou quanto muito fala enquanto lê a Bola. Falham no companheirismo, na ternura, na amizade. E elas gravam tudo.Têm mais memoria que um disco rigido. E à mínima discusão, atiram-lhe tudo à cara. Mesmo coisas que ele fez há 20 anos atrás, como quando se esqueceu de desligar o fogão, a pedido dela que se estava a arranjar para ele, mas ele não tirou os olhos do Benfica-Sporting e lá se foi o soflê que ela preparou com tanto esmero.
As pessoas mudam?
-As coisas podem mudar. Cultivar é fazer coisas importantes no dia-a-dia. As relações tem fazes de grande seca.
E mesmo assim as pessoas insistem em casar..
-è inato. Faz parte do projecto de vida de muitas pessoas. A felicidade pessoal passa muito por aquilo que se chama o amor ou a relação amorosa.
Existe uma certa tendência para se partilhar tudo. Isso é prejudicial?
-Costumo dizer que só se conhece verdadeiramente uma pessoa em duas situações: o divorcio e quando partilha a casa de banho. O cúmulo da intimidade é partilhar os puns. É verdade!
Não é partilha a mais?
-Os puns à noite são involuntários. Mas devemos partilhar o que quisermos. Há casais para quem a conjugalidade é partilhar tudo, da casa de banho ao dinheiro. A intimidade não é forçosamente as pessoas saberem tudo uma da outra. Não é como acontece com os casais ciumentos, em que andam a vasculhar os emails e os sms do outro.
Há alguma coisa que os casais devam evitar a todo o custo?
-A crítica. O hipercriticismo mútuo ou só de um lado: "tu és isto, tu és aquilo, tu és sempre a mesma coisa, tu fizeste isto,fizeste aquilo.." Há pessoas que tentam que o outro seja igual a elas próprias, que não aceitam a individualidade do outro. Ninguém muda ninguém.
Acha que os homens são mais responsáveis pela falha na relação?
-É mais falta de jeito. Há que dizer-lhes:"Oiça lá, você assim não vai lá. Ainda gosta dessa mulher?Então vá lá e mostre-lhe que gosta dela."
Os homens continuam a ter mais dificuldade em mostrar os sentimentos?
-É uma questão cultural. Tem medo de se expor de serem considerados fracos. Mas a responsabilidade não é só deles. Elas por vezes também são muito chatas, dá vontade de dizer:"Oça lá, não ande a perseguir o homem, não o melgue tanto que ele não aguenta."
Porque é que as mulheres são mais melgas?
-Não sei. Sempre foi assim. Têm mais necessidade de expressão, de um sorriso, de um telefonema, de um convite inesperado. Eles são mais "tumbas" para estas coisas.
Ainda há muito isso de dar a coisa por garantida?
-Sim. Dos dois lados. Mas talvez um pouco mais do lado deles. Eles também engordam, mas não são penalizados porque são homens. Mas as mulheres também reparam nisso e já há quem lhes diga:"Ouve lá, eu, com esse teu corpo de hipopótamo, não tenho atracção por ti..." e isto arrasa um homem.
Mas não são eles que dão mais importancia ao corpo?
-São. A atracção sexual nos homens passa muito pelo corpo. A atracção feminina é uma coisa mais complexa. Como a pesspoa é, como se exprime, como pensa, nos interesses comuns. Já a atracção masculina é muito mais fisica, o que depois pode ser muito complicado. O corpo ao longo do tempo vai mudando. Por isso é que eles ás vezes as trocam por uma mais nova. Vê-se muito pouco o contrário, embora já aconteça.
E será só por causa dos corpos?
-Provavelmente também porque as mulheres não tem muita paciência para um homem imaturo e acriançado. Também me pergunto o mesmo, o que é que eu fazia com uma miuda mais nova, para além de ir para a cama, depois como é que é? O que é que fazia?
Na maior parte das vezes, os homens quando se divorciam, acasalam outra vez.
-Alguns é logo no próprio dia.
Porque?
-Por muitas razões. Não sabem estar sozinhos, são tontos, foram mal educados, tem dificuldades em ficar sozinhos, com o dia-adia da rotina de uma casa.
As mulheres resistem mais tempo sozinhas?
-São mais autónomas, e por outro lado tem os filhos.
Não porque o desejem?
-Não, é porque aguentam. Depois também arranjam novas relações, mas como tem os filhos tem menos disponibilidade e hesitam mais em introduzir uma figura nova na familia. Os homens são mais impulsivos e depois tem facilidade na caça, em caçar.
Pensei que as mulher também caçavam...
-As mulheres deixam-se caçar. Um homem só caça quando a mulher quer. As mulheres tem mais dificuldade em caçar por caçar, ainda que pós divórcio aconteçam fazes dessas. Os homens tem mais facilidade me caçar,e é muito frequente depois de uma separação haver nos homens uma espécie de regresso à adolescência.
E depois recomeçam tudo outra vez?
-Há segundos casamentos com grande sucesso porque os primeiros foram grandes erros de casting, outros que duram apenas um ano ou dois. Não há nenhum casamento verdadeiramente feliz que viva só de mesa e cama.
Mas afinal para os homens não está tudo bem se houver sexo?
-Hoje em dia cada vez menos. Haverá alguns que aceitam isso, mas nunca será uma relação completa e satisfatória.
O que não se deve fazer para manter um casamento saudável?
-Não se deve criticar o outro levianamente, nem a sua familia:"a tua mãe isto, a tua mãe aquilo..." é tempo perdido. A amizade que existe num casamento é diferente, mas a pessoa deve sentir que o outro a apoia mesmo que eventualmente não esteja de acordo com ela.
E onde fica a franqueza?
-Até se pode dizer, mas não na altura, a quente. Costumo dizer que quando querem dizer as coisas desagradáveis, digam quando estiverem bem um com o outro.
Hoje as pessoas não se ouvem muito, pois não?
-Têm pouca paciência. Às vezes é uma seca, é melhor estar na internet ou a ver o telejornal.
E para combater isso, qual o melhor conselho aos casais para serem felizes?
-Riam. Riam-se muito. É fundamental.
Mas Cusco...é de dia e os ouriços-cacheiros vivem à noite e dormem de dia... o que é que está aqui a fazer a estas horas? Não devia estar com... Cusco! Cusco!!! Olha...desapareceu...

domingo, 25 de abril de 2010

Ando cansado de ti e do teu humor de merda com tantas tardes de chuva. Nem sequer tinha pensado em te escrever. Ia escrever sobre a revolução, o vermelho dos cravos, ou sobre o graffite na rua das arcadas. Mas depois pôs se sol e comprei um corneto de morango e, juro-te, há sempre miúdos a jogar à bola na rua das laranjeiras. Hoje, finalmente a bola fugiu para os meus pés e dei dois toques antes de passar ao miudo gordo e sardento, com a t-shirt do FCP. O dia corria-me bem, até porque estava maré-baixa e cheirava a maresia. E na esquina da praça já não se vendiam castanhas, mas flores a tentarem sobrepor-se ao vermelho dos cravos. Até vi um casal de namorados nos resguardos da ponte, que namoravam como nos filmes. E a senhora das esmolas, que por momentos se esqueceu de estender a mão e viu-se no reflexo das águas do rio. E perguntei-me se seriam doces ou salgadas, as águas do rio. Queria falar da liberdade, mas distrai-me com as estrangeiras giras com ombros de alças marcadas pelo sol. E o reflexo das velhas fachadas constantemente lavadas pelas águas do Gilão. E esqueci-me porque me fodes o juizo. Estou a escrever-te a ti. sabes, ás vezes estás-me tão entranhada

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A admirável natureza humana

Um grande capitalista decide visitar a quinta do sogro recém entrado na familia. Numa atitude de sobranceria e prepotência propôe-lhe:
- compadre, tanto estrume... não lhe faz confusão?
- não, é natural numa quinta com animais.
- e se eu lhe der ...500 euros! Você é capaz de comer uma bosta de vaca?
- 500 euros...

e o compadre agricultor, a pensar nas vacas que podia comprar com 500 euros, engole a bosta.
O sogro capitalista, surpreendido com a facilidade com que o compadre engoliu o poio de vaca, e como nunca tinha perdido tanto dinheiro em tão pouco tempo, tenta recuperá-lo:

- Ó compadre, e se eu comer também uma bosta de vaca, você devolve-me os meus 500 euros?
O agricultor não pensa duas vezes, pois ver o sogro arrogante de gravatinha a comer uma bosta de vaca, é algo muito raro de se ver numa vida inteira e aceita.
O capitalista engole a bosta a muito custo e lá recupera o seu dinheiro.

passado meia hora o agricultor pergunta:
- Ó compadre.... mas porque é que comemos aquela merda toda?...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

terça-feira, 6 de abril de 2010

A vida é demasiado curta para perdermos tempo a entediarmo-nos

"A felicidade tem mau marketing porque exige coragem. Para começar, a coragem de aguentar os dichotes desdenhosos dos que desistem dela. Um rapaz que aos 65 anos vai no quarto casamento, dizia-me há dias que está farto de ser olhado com paternalismo por homens acomodados na rotina das pantufas conjugais e dos engates ocasionais. Diz este meu amigo que não entende como conseguem as pessoas dormir com alguém que já não desejam e desejar alguém com quem não podem dormir. Talvez não sejam capazes de desejar sem interdições, o que significa que o objecto real do seu desejo é o proibido. É difícil estimarmos aquilo que temos. Lembro-me sempre da história daquele homem que, sendo encantador com a noiva durante os seis anos em que noivaram, se tornou frio e bruto ainda na lua-de-mel. Quando a mulher lhe perguntou a causa daquela mudança, retorquiu: "Ninguém corre atrás de um comboio quando já vai lá dentro." Uma história de outros tempos, como pensa a própria protagonista, hoje já transformada em comboio vazio por morte do ingrato passageiro? Nem por isso. Raros cavalheiros se atrevem hoje a expressar o que lhes vai na alma com a eloquência deste falecido apreciador de comboios em fuga - tornaram-se mais cuidadosos no falar, desde que os comboios se transformaram em TGVs supersónicos. Uma palavra a mais pode provocar uma sacudidela a alta velocidade, capaz até de os catapultar para o desabrigo da linha férrea, onde não se servem refeições quentes nem programas de televisão. Há dias, queixava-se-me um recém-divorciado, em voz de desespero: "Mulheres interessantes até há, mas todas tão incapazes de estrelar um ovo como eu!" Citei-lhe as frases finais do fabuloso "Annie Hall", de Woody Allen: "- Doutor, estou preocupado, o meu irmão julga que é uma galinha. - Então traga-mo, para eu o tratar. - Eu trazia, mas preciso dos ovos." Uma citação propositadamente deslocada, porque me deprime menos pensar que todos nós precisamos de uma qualquer espécie de ovos ainda por inventar (a Clarice Lispector percebia muito disso) do que pensar que os seres com quem contraceno andam mesmo e só à procura de ovos bem estrelados.

Na maioria dos casos, a iniciativa do divórcio parte das mulheres. Por causa dos ovos estrelados, ou dos ovos que cresceram e se tornaram filhos. Elas, em caso de necessidade, ainda sabem partir ovos - e entrar ou sair de comboios em andamento, mesmo com as mãos cheias de sacos de supermercado. E são elas quem fica com os filhos. Quando as mulheres começam a ameaçar separar-se, os homens clamam que não aguentam ficar longe dos filhos. As mulheres espantam-se, porque nunca deram pela força do amor paternal: era cala-te puto que o pai quer ver o telejornal, estás aqui estás a levar uma lamparina - e, de repente, a criança ignorada torna-se o centro do mundo. Este discurso tem o condão de comover as outras mulheres que querem ficar perto destes pais extremosos, e de quem eles não querem mais do que umas cópulas revigorantes. Com tanto sentimento, não sei como sobrevive a prostituição. Deve estar reduzida àqueles de quem nunca ninguém quis ter um filho. Pobres trabalhadoras.

Um homem que se case muitas vezes, e de sua livre iniciativa (isto é, sem ter sido empurrado do comboio por uma mulher farta de o aturar) é visto como um ingénuo: escolhe a chatice da mudança e da despesa constante, em vez do regalo do lar e o consolo dos casos por fora. Para quê mudar, se nada é eterno e tudo se torna hábito? Precisamente por isso, diz o tal meu amigo que insiste em casar-se: "A vida é demasiado curta para perdermos tempo a entediarmo-nos. Eu gosto de partilhar tudo. Acho que se aprende mais a dois do que sozinho, do mesmo modo como se aprende mais tendo amigos do que não tendo. É uma tristeza viver com uma pessoa com a qual já não se partilha tudo." Vidas cinzentas. Hipócritas, mas isso é o menos - o pior é a tristeza, porque chega um dia em que já não há crianças barulhentas em casa nem sobra charme para engatar a vizinha. E morre-se sem ter mudado nada. Morre-se sem ter experimentado o trabalho infinito da felicidade. Este meu amigo não vai morrer assim. Será lembrado com alegria pelos três filhos e pelas várias mulheres que soube amar. O amor não se perde, apenas muda de natureza. Desde que saibamos escutá-lo e acarinhá-lo. Há é pouca gente para dar por isso."

Texto publicado na edição da Única de 20 de Março de 2010, por Inês Pedrosa.

sábado, 27 de março de 2010

I wanna do bad things with you




Sabem qual é a diferença entre uma enoteca e uma eroteca?

A primeira distorce os sentidos, a segunda, apura-os...


E porque o dia da mulher é quando (um homem quiser) a mulher quiser, e quando a mulher quer, pode ser muito erótica, e quando a mulher é muito erótica, pode muita coisa, mas se a rotina e o trabalho lhe esgotam a libido e a imaginação, a Sexto Sentido resolve. A primeira eroteca a abrir em Portugal, e o principal objectivo é explorar o prazer de uma forma íntima e sem barreiras. Não, não é uma sex-shop. Aqui respira-se erotismo, sem descurar a sexualidade. Explora-se o prazer e sensualidade, de uma forma íntima e sem tabus.


E o que é isso de erotismo, perguntam as mais distraidas. Eu como homem diria que é ser surpreendido com um ambiente de média luz, tipo velas e castiçais à moda vampiresca. Um striptease ao som desta música, mas só até à lingerie. Apartir dai o strip passa a dois e de strip passa a dança mas... de olhos vendados, e as brincadeiras têm o limite que a imaginação quiser: banhos de champanhe, massagem indiana, chupa-chupa de chocolate, cubos de gelo, hortelã-pimenta, chá quente, vibrações, palavras sugestivas sussurradas ao ouvido, e isso tudo que estão a pensar e nem a vocês próprias confessam.


Pena esta eroteca ser só na capital, mas para quem está longe, e porque não um fim-de-semana (sexto)sentido?





as saudades que eu tenho deste genérico...

quinta-feira, 25 de março de 2010

e volto a ficar capturado

e quando fico capturado naquele momento meu, imagino a quantidade de coisas que existem entre mim e o meu futuro. Acho que não sei viver. Que não sei viver como os outros vivem. Sou um saloio. Não há dias iguais, e as cores não se repetem. Apetece-me sentir. Fascina-me. Como a primeira vez que os meus olhos tocaram o corpo nu de uma mulher. E neste preciso momento, no tempo que dura uma respiração, só me apetece olhar para ontem e imagino a quantidade de coisas que existem entre mim e o meu futuro

quarta-feira, 24 de março de 2010

Efeito Tim Burton

A príncipio pensei que fosse algum efeito especial. E depois esta moda dos filmes a três dimensões. Mas não, era mesmo um cão que estava ali, duas filas abaixo da minha. O cão seguiu o filme muito atentamente e com muito interesse. Ora comentava com o dono alguma passagem mais significativa do filme, ora ria a bom rir. E comovia-se nas passagens mais comoventes. E juro que até o vi bater palmas com as duas patas dianteiras.

Há saida do cinema não me contive e dirigi-me ao dono do cão:
- Olhe que o seu cão é formidável! A maneira como ele seguiu o filme, e como o apreciou!
- Pois - diz o dono do cão. - Isso espanta-me tanto mais quando ele não gostou nada do livro.

Só para que conste, o cão era um Fox Terrier.

terça-feira, 23 de março de 2010

Tudo é economia, já dizia Marx...até o amor.

Tenho a estúpida sensação que as pessoas vêem os sentimentos como uma doença e algo a esconder a todo o custo. A enterrá-los num buraco para se esquecerem que os tiveram.
E tenho a estúpida sensação que as pessoas já sabem tudo de tudo. Sabem tudo sobre sentimentos, sobre sexo, sobre drogas, sobre politica, sobre o Socrates, sobre a vida dos outros...
- Não sabes nada da vida... o teu mal é leres demasiados livros românticos.. - dizia-lhe ela.

e anda tudo numa correria louca.. numa ânsia...
numa ânsia de chegar primeiro
de sucesso, reconhecimento, dinheiro

- Amor? Sentimento? Paixão? Andas a ver filmes a mais... -dizia-lhe ela.
O sonho fora trocado pelo sonho de ser famoso, de aparecer, de ser conhecido em todo o lado. Adorada e aplaudida, e o resto é conversa. Ali não há lugar a sentimentos frustados nem o sofrimento de uma decepção amorosa. Isso é só para os tolos.

- Sabes porque te amo? -dizia ele.
- Porque sou bela?
- Não, porque tenho a impressão que consigo ler o teu coração...
- Ler!Ler!Ler! Passas a vida a ler! E se fizesses alguma coisa útil para variar? Agora não tenho tempo, tenho que ir, já estou atrasada. - e ele ficou a pensar de que é que ela tinha medo? Do sentimento? Do compromisso? Da decepção? Do sofrimento? Que mais valia a solidão de uma vitória, ao calor de um abraço? ou as palmas do público ao beijo apaixonado?
Uma vez olhei no rosto do amor e encontrei o espelho dos meus sonhos.
Com quem é que ela aprendeu a querer tão pouco?

sexta-feira, 19 de março de 2010

Gosto do teu Porto de Embarcações, das tuas Caixinhas e do teu Mutuar

"Porto de Embarcações.

Acordo com o soar do zumbido da vibração do telemóvel na mesa-de-cabeceira, atendo e:
- Espero por ti junto ao “Porto de Embarcações”…Desligo a chamada sem pensar, tendo a noção que ainda ouvi a tua respiração do outro lado antes de desligar.Viro-me para o lado e observo a luz que já brota da janela. Enrosco-me um pouco mais nos lençóis que, apesar do frio matinal, ainda estão quentinhos. Fecho os olhos e, subitamente, levanto-me da cama.Preparo-me para sair, saco a chave de casa e o mp3, tranco a porta e sigo pelas escadas do prédio. Desço-as e, ao chegar à porta de entrada, reparo que começara a chover há momentos antes. Sem hesitar abro a porta e saio, começando a minha corrida matinal mas recusando-me a ligar o mp3, basta-me o som das gotas que já me embalam e convidam a continuar o percurso… O mesmo percurso de sempre.Acelero um pouco mais o passo e a chuva parece que me acompanha na velocidade. Sigo pelo jardim, cada vez mais aviando o passo até que paro sem abrandar antes a corrida, inclino-me para a frente para tentar normalizar a respiração e, ao voltar a endireitar-me, sinto o teu respirar junto ao meu ouvido enquanto me sussurras:
- Qualquer sítio onde te encontro é o Nosso Porto de Embarcações…
- Ai sim? Tão, dizes-me lá porquê.
- Mesmo sabendo que já tu o sabes? – Perguntas-me.
Lanço-te um olhar como quem diz que sim e abraçamo-nos enquanto a chuva continua a cair sobre nós.
- Vamos para casa… – sugeres.
- Não antes de comprarmos algo para o pequeno-almoço.
No caminho para casa, paramos na pastelaria do costumo, quando ainda nem sete horas da manhã batem. Compramos uns donuts e seguimos o resto do caminho de mão dada enquanto ainda chove.Chegamos a casa e o silêncio parece que nos acompanha enquanto nos dirigimos para um banho quentinho.Acaricias-me o rosto enquanto suavemente te beijo a mão, deixamo-nos levar… quando já não caem as gotas de chuva sobre nós mas sim as do chuveiro. Enquanto estas nos percorrem o corpo contemplamo-nos num entrelaçar de corpos…Eis mais um Porto de Embarcações, onde as nossas almas se permutuam numa perfeita imperfeição de mistura unificada que cai e cresce sobre e em nós, como se nada mais fizesse sentido para além do que sentíamos quando embarcamos neste nosso porto...Cada toque, gesto, movimento, cada suspiro intenso parece mais cúmplice do que o anterior e menos que o seguinte e, entregues a nós, entregues um ao outro, acabamos por fazer amor…Quando parece que a chuva lá fora abranda com o regatear dos minutos, já deitados, tendo sobre nós os lençóis que nos deleitam as nossas formas corporais enquanto nos mantêm aconchegados, longe do chuvisco que outrora nos molhava, agora, observamo-nos enquanto o silêncio ainda paira no ar.Silêncio que é quebrado, muitas vezes, por um suspiro mais longo e profundo quando olhos nossos se fitam, quando tu tentas alcançar, num só toque, o que sempre escondo depois de fazermos amor.
- Porquê enroscaste dentro de ti quando em mim o podes fazer?Baixo o olhar enquanto me perguntas.
- Não te sou estranho, não sou ninguém que acabaste de conhecer, muito pelo contrário.
- Eu sei…
- Tão, porque foges de mim depois de fazermos amor?
- Estou aqui, não estou? Logo, não estou a fugir. – Retorquiu-te.
- Sabes que não é a isto que me refiro.
- Que queres que te diga?
- Nada… deixa-me apenas sentir-te, tocar-te sem que tentes esconder-te.
- Mas tu sabes que... – interrompes.
- Que não gostas, sei… Que preferes ficar apenas a trocar olhares em perfeita cumplicidade. – Acaricias-me o rosto – Quero-te tanto…Desces a mão pelo meu rosto fazendo deslizar em direcção ao meu peito. Passas-me a mão no meio dele e sustento a respiração por momentos… Subitamente agarro na tua mão e suspiro enquanto viro o rosto para o outro lado.
- Olha para mim…Abano a cabeça enquanto as lágrimas caem-me pelo rosto.
- Que temes tu? Achas que alguma vez te irei deixar por isto?Finto-te o olhar enquanto te pergunto:
- E se tiver que ser mesmo operada, se tiver que recorrer a uma cirurgia, vais continuar a olhar-me como me olhaste até agora?
- Eu Amo-te! E tal como não hesito em dizê-lo, não vou hesitar em olhar-te como sempre te olhei! Desde a primeira vez que me salvaste, desde a primeira vez que me agarraste em alto mar e levaste-me em teus braços para terra, me reanimaste e me sorriste com os olhos vidrados tal como agora. Olhos que, tal como naquele momento, reflectem-me neles. Não será isto que me fará deixar de te amar. Quantas vezes voltei eu ao mesmo sítio onde me salvaste pela primeira vez na esperança de te voltar a encontrar? Quantas vezes? Achas que foi apenas porque me salvaste? Não! Foi porque foi em teus braços que senti o que nunca tinha sentido antes… Senti-me vivo e foi pelo “pedaço d’alma”, como costumas dizer, – rimo-nos juntos por momentos
– …foi pelo “pedaço d’alma” que abdicaste de ti por mim, para me fazeres renascer que voltei lá. E tal como um puzzle precisa de todas as peças para ficar inteiro, eu preciso de ti para ficar completo.Sorrio para ti e enquanto te abraço sussurro-te:
- Meu pedaço d’alma reluzente – suspiro enquanto te abraço mais forte – complementas-me também.E como uma perfeita imperfeição de mistura unificada, voltamos a embarcar nos braços um do outro voltando assim a fazer amor, adormecendo após tal momento de entrega."

Escrito pela C. aqui onde as palavras tocam mais do que contam

segunda-feira, 15 de março de 2010

as mulheres, o homem e o urso (part II)

Fundamentação da metafísica dos costumes ou as minhas conversas com o Snow

Snow - Admiro-te!És um herói.
Eu - ......sou? Porquê?
- Sobreviveste a um momento fracturante e resististe à decadência que dai advinha.
- ....
- Há quem nunca se recomponha e nunca mais exerça a sua vida com a capacidade que até ai exercia. Não se pode morrer só de amor.
-....
- Mas não há dúvido que o amor é para os heróis. Só um herói tem a capacidade de sobreviver à memoria.
-....
- A memória é uma grande predadora e poucos lhe sobrevivem. Ou porque é que achas que a maior parte da humanidade se refugia no álcool e nos opiácios? O que magoa é lembrarmo-nos. Ter memória é ter coragem. Para abrir um espaço em nós, para que alguém ocupe a nossa memória, o nosso lugar de existir.
- Isso que tens no copo por acaso não é baccardi?
- Pstt! Não me interrompas. Onde é que eu ia?...
- ias lavar a loiça. É a tua vez.
- Insensivel...


Snow - Quando é que deste o teu primeiro beijo a sério?
Eu - Humm... tarde..
- Tarde?
- Sim. Era muito timido e achava que nunca iria beijar e ia morrer virgem.
- Então era por isso que tinhas aquele sonho recorrente?
- Que sonho?
- Aquele em que sonhavas que eras agarrado à força e violado por uma mulher voluptuosa.
- Não te chega seres urso...também tens que ser parvo.
- ahahahahaah!
- Mas eu esperei e valeu a pena, porque sempre que beijo uma mulher é como se fosse a última vez e..
- ..e como se fosse uma urgência.Um medo de que acabasse e já uma consciência de que era para acabar, no sentido em que, ainda que durasse a vida inteira, ia ser pouco..
- Tens noção de que ás vezes és insuportável?
- Tenho, mas podes sempre ir lavar a loiça por mim



- As nossas tragédias não se interropem! Ainda roidos de dor, podemos ter momentos de estranha elevação e abraçarmos histéricamente uma alegria. Ficas com a consciência de que aquela emoção agride, porque é uma traição ao que se devia sentir! Porque a pessoa que perdeste merece que sofras por ela!
- hmmm, vou buscar um baccardi, queres?
- Com muito gelo. Mas é o instinto de sobrevivência, porque quando te dás conta, começas a permitir-te pensar em outras coisas. Perceber a amizade! Perceber que se pode amar de várias formas e mais do que uma pessoa!
- SNOWWWW!!!JÁ NÃO HÁ BACCARDI?????
- No fundo, no fundo, melhorar é uma traição!
- Se tens instinto de sobrevivência, é melhor que a garrafa de baccardi apareça cheia dentro de cinco minutos...
- ...mas porque é que estás a correr atrás de mim?? Não te esqueças que devemos correr para a felicidade!e que a pena para quem intenta contra uma espécie em vias de extinção é....

domingo, 14 de março de 2010

as mulheres, o homem e o urso


Fundamentação da metafísica dos costumes ou as minhas conversas com o Snow


- é um inferno com elas e pior ainda sem elas.
- há mulheres muito frias, mas nós temos uma boa pelagem.
- a melhor coisa é matá-las enquanto se pode.
- bébés e fraldas sujas.
- unhas e palavras afiadas.
- cheirosas e fofinhas
- quem???
- não conheces.
- chapadas, joelhadas e cabelos brancos
- sogras
- de vez em quando, penso nela o tempo todo.
- só não percebo porque é que ainda não és um gigante.
- gigante?? Porque?
- estás sempre a dizer que a dor te faz crescer
- pois faz! já devia estar maior do que tu... para um urso, não tás mal de sentido de humor
- queres que te conte uma piada sobre pinguins?
- adianta dizer não?


- amo-a
- não sejas ridiculo, amor é uma palavra para luxúria, mais luxúria e comportamentos idiotas.
- mas tu és um urso, como é que sabes isso??
- basta olhar para ti.
-(...)
- mas não te preocupes que um par de idiotas raramente morre de amor
- raramente??
- alguns distraem-se e são atropelados


- foste tu que pintaste isto??
- gostas?
- não sei... o que é que significam estas manchas?
- a negatividade do universo. O abominável e solitário vazio da existência. O nada. A condição do homem forçado a viver uma árida eternidade desprovida de Deus, como uma breve chama piscando no imenso vácuo. Horror e degradação, camisa-de-forças num cosmos negro e absurdo..
- então não te importas se eu te disser que essas manchas são de baccardi..
- entornaste baccardi no meu quadro???!!!
- não. Apenas acrescentei um pouco de negatividade ao universo...


- que é que vais fazer este sábado à noite?
- cometer suicídio
- ok, mas depois não te esqueças de limpar tudo


O meu amigo Snow ball e o Flokinho

sexta-feira, 12 de março de 2010

Homens, mulheres, cães, compromisso, dinheiro...

Eu - Então, que cara é essa?
Ela - São voces homens, cada vez mais parvos e infantis.
- hummm...e que é que ele fez desta vez?
- nada.
- nada?
- nada.
- é mesmo parvo, com uma mulher como tu e não faz nada...
- não sejas parvo tu também.
- jeesus!Estás cá com um sentido de humor... e nem sequer és benfiquista.
- Hahahaha. Perderam?
- Não. Empatamos.
- Menos mal.
- Mas diz lá, porque é que estás com esse sentido de humor tão corrosivo? Olha que isso faz-te mal á pele...
- Antes fosse feia e não tivesse tantos homens a chatear.
- E isso é mau?
- É, quando gostas de um deles e ele depois não quer assumir nada. Não vos percebo... andam tanto tempo atrás de uma mulher, e quando ela repara nele, foge...
- Humm, como os cães que desatam a correr atrás de um carro feito loucos e depois fogem quando ele para?
- Ahahahahaah!É mesmo isso!
- Eu normalmente não paro, sou atropelado...
- Ahahahahaha
- E nem sequer param para ver como é que fico.
- As mulheres a conduzir são muito distraidas. Mas não me pareces em muito mau estado.
- Tenho evitado a estrada.
- Ui! O menino anda muito discrente no sexo feminino. Olha que nem todas são assim tão más condutoras.
- Pois não. Mas são cada vez mais materialistas. Chego à triste conclusão que as mulheres não gostam verdadeiramente dos homens. Gostam do dinheiro. Quem gosta de homens são os gays.
- ahahahahahahaha! parvo! Mas olha que eu não sou dessas.
- Não? Se nunca tivesses que pagar por sapatos a tua vida toda, aceitarias ter apenas um orgasmo por ano?
- ....
- HESITASTE!!! Materialista!!!!!!!

sábado, 6 de março de 2010

A verdade

Uma donzela estava um dia sentada à beira de um rio, deixando a água do rio passar por entre os seus dedos muito brancos, quando sentiu o seu anel de diamantes ser levado pelas águas. Temendo o castigo do pai, a donzela contou em casa que fora assaltada por um homem no bosque e que ele arrancara o anel de diamantes do seu dedo e a deixara desfalecida sobre um canteiro de margaridas. O pai e os irmãos da donzela foram atrás do assaltante. Encontraram um homem no bosque a dormir. A donzela apontou para o homem deitado na erva que logo foi morto sem sequer acordar. Mas o pai e os irmãos da donzela não encontraram o anel de diamantes. E a donzela disse:
- Não era um homem, eram dois!
E o pai e os irmãos da donzela saíram atrás do segundo homem, encontrando-o mais à frente no bosque e apenas com uma indicação do dedo da donzela, matam-no, sem sequer o deixar falar. Mas este também não tinha o anel de diamantes. E a donzela disse:
- Então está com o terceiro!
E o pai e os irmãos correram atrás do terceiro homem. Encontrando-o mais à frente, a pescar no rio. mas não o mataram, pois já estavam fartos de sangue. E levaram o pescador para a aldeia. Ao revistarem o pobre homem, encontram o anel de diamantes, para espanto da donzela!
- Foi ele que robou o anel de diamantes da donzela! Gritaram os aldeões.
- Matem-no!
- Esperem! - Gritou o pescador, no momento em que lhe passavam a corda ao pescoço.
- Eu não roubei o anel. Foi ela que mo deu!
E apontou a donzela, diante do escândalo de todos.
O homem contou que estava à beira do rio, pescando, quando a donzela se aproximou dele e lhe pediu um beijo. Ele beijou-a. Depois a donzela tirou a roupa e pediu e pediu que a possuísse, pois era virgem e queria saber o que era o amor. Mas como o pescador era um homem honrado, resistira ao desejo, e disse à donzela que devia ter paciência, pois conheceria o amor com o seu marido, no leito de núpcias. Então a donzela oferecera-lhe o anel, dizendo: « já que os meus encantos não te seduzem, compro o teu amor com este anel». E o pescador sucumbira, pois era pobre e passava fome, e a necessidade é o algoz da honra.
Depois do relato do pescador, todos se viraram para a donzela e gritaram:
- Rameira! Impura! Demonio!
E exigiram a sua morte. E o proprio pai da donzela, pos a forca no pescoço da filha. E antes de morrer disse a donzela para o pescador:
- A tua mentira foi maior que a minha. Eles mataram pela minha e vão matar pela tua. Onde está afinal a verdade?
Ao que o pescador retorquiu:
- A verdade é que eu encontrei o anel na barriga de um peixe. Mas quem acreditaria nisso? O povo quer é sangue e não histórias de pescadores.

Uma de muitas história contadas ontem, na Maré de Contos, a decorrer em Tavira.
Hoje ainda podem a Leitura Encenada: "A fábrica de Nada" de Judith Herzberg, orientada por Vitor Correia, na Biblioteca Municipal de Tavira, pelas 21:00.

quarta-feira, 3 de março de 2010

A triste idade

Há tempos vi num programa de televisão (as tardes da Julia, salvo o erro), uma senhora viúva, que esteve casada mais de cinquenta anos até a morte lhe ter levado o companheiro. Que foi o único homem da sua vida e que não queria mais nenhum. Interpelada pela apresentadora do programa, explicou (muito timidamente, porque nunca tinha falado destas coisas com ninguém) porquê: que não queria mais nenhum homem na sua vida, porque nunca gostou de sexo. Que era um castigo e o que teve com o falecido, teve por mera obrigação.



Hoje de manhã, observo uma senhora coberta de negro, com mais rugas no rosto do que eu tenho em anos de vida. Estava pacientemente a tentar levantar dinheiro de uma caixa multibanco, com a ajuda da neta. Calculo que tenha sido por falhar as três tentativas de digitar o código correcto, que fez com que a máquina não devolvesse o cartão da senhora. A sua atitude perante a máquina é de uma total aceitação. Ficou prostada em frente à máquina, completamente imóvel, durante uns longos segundos. Provavelmente não tem dinheiro consigo, e não vai poder fazer as compras de mercearia de que tanto necessita. Isto tudo sem o mais pequeno pio, ou sinal de revolta. Com uma mansidão resignada que tem séculos.



Mas não sei se me chocam mais estas duas tristes realidades, se esta terceira. De uma senhora também quase centenária, que se emociona e chora, só por dizer o seu nome a uma plateia de outras senhoras e senhores idosos. Porque em muitos anos de vida, nunca teve a atenção de outras pessoas. E só era pedido à senhora que se apresentasse.... só isso, que nos dissesse o seu nome e idade...e a senhora começa a chorar... porque nunca teve muitas pessoas a ouvi-la. Porque nunca teve atenção

e tão rápido como disse o nome, limpou as lágrimas e sentou-se imóvel na sua cadeira, sem dizer mais nada

terça-feira, 2 de março de 2010

É sem tirar nem pôr!

Não sei se é da minha mente perversa, ou se é mesmo da língua portuguesa. Ou do decote generoso....Mas quando uma menina muito solícita, atrás do balcão de uma dependência bancaria usa expressões como:
- Mas não duvide! É sem tirar nem pôr!
- hummm...
- Quer que lhe faça uma simulação?
- ....(sim, confesso que corei...) não, não se incomode, os beneficios estão à vista.

e depois já na rua imagino o metro em hora de ponta, e um frustado sexual para a pessoa colada a si: «obrigado pela parte que me toca»

Ok, é da minha mente perversa...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

tal como veio, foi e tal como provavelmente nunca antes a tinha visto, provavelmente nunca mais a voltarei a ver. e numa generosidade apenas possível a uma mulher, num tão curto espaço de tempo mostrou-me que o universo feminino é um milagre de vida e de sobrevivência. como se as poucas horas de conversa fossem, cada uma, um pedaço de espelho. um montar de um espelho que aos poucos vai reflectindo o interior da mulher para o mundo. um interior com pelo menos três mulheres diferentes, que por sua vez se dividem cada uma em outras três mulheres diferentes, assim sucessivamente em cadeia, como se fossem mil mulheres habitando um único ser. e como os homens não compreendem isso. nem elas próprias. também penso que as mulheres podem ser mil e que mostram que são essas mil à medida que vão surgindo, uma por hora ou uma por segundo, e que os homens são, gerlamente, um, no máximo dois. e esse segundo nunca é revelado ás mulheres. e enquanto essas mil mulheres sonham com um só homem, um homem só, sonha com mil mulheres. e não vê que elas estão lá todas, todas numa única, algumas com os fios desligaods, tal como dizia o António na sua crónica. e que eles não vêem ou não sabem ligar os fios e que o que vêem acaba por ser só uma das mil mulheres que existem numa só. e acaba por ir procurar nas outras o que se surpreenderia milenarmente com uma só mulher. estar com ela e, no outro dia descobrir que ela não é nada daquilo que pensava que fosse. mesmo assim, poderia continuar a gostar dela, porque a sua relação será sempre o ínicio de uma nova descoberta, uma nova conquista, um novo encontro, uma nova aventura, um novo mundo, uma nova mulher, numa só mulher. porque a diferença entre os homens e as mulheres é bastante nítida. os homens são peças de um quebra-cabeças simples e sempre completo. já as mulheres são quebra-cabeças complexos e mágicos. as peças transforma-se. encolhem ou aumentam consoante a necessidade. mudam de cor conforme a situação. e conseguem encaixar até naquilo que não encaixa. os homens no seu mundo tentam encontrar apenas peças exactas, que encaixam na perfeição. as mulheres preenchem esses espaços com as sobras das laterais. diminuem ou aumentam os cantos moldando o espaço para que as peças, mesmo que não perfeitas, encaixem bem umas nas outras. completando o quebra-cabeças do universo feminino. tal como ficou completo o espelho que com os seus mil bocadinhos me reflecte tão bem a essência de um ser que pode ser o que quiser, mas que prefer ser ela mesma, num universo feminino tão desconhecido dos homens e misterioso para as proprias mulheres.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Como a Inês Gonçalves deixou de ser uma mulher lindíssima em 10 minutos, ou porque é que não deve ser a mulher a escolher o restaurante

Ela - Estás confortável?
Eu - Sim, obrigado.
- Não tens frio, pois não?
- Não. Não.
- E calor?
- Não, estou bem.
- De certeza?
- Sim
- E se não estiveres, dizes?
- Sim, digo.
- Prometes?
- Prometo.
- Não estás a dizer isso só para me agradar?
- Não, a sério, estou bem.
- Óptimo, mas se preferires ir a outro restaurante, é só dizeres.
- Não.
- Tens a certeza?
- Sim!Olha, vamos escolher...
- Sim, o peixe aqui é maravilhoso.
- Humm...
- Mas olha, não queres trocar de lugar comigo? Aqui tens mais luz.
- Não, aqui estou bem.
- A sério, eu não me importo.
- Não. Não! Aqui também tenho luz, deixa-te estar.
- Mas aqui estás á janela e...
- Não S., a sério, estou bem aqui.
- Oh! Agora ficaste chateado comigo..
- Não S., não estou nada chateado contigo.
- Mas fizeste uma cara...
- Não, a sério não estou.
- Estou a ser muito chata?
- Não mas..
- Vês! Afinal sempre estás chateado comigo!!Foi por eu me ter sentado à janela?
- Não S. não estou nada chateado contigo. Olha, vamos escolher?
- Vamos... desculpa, não estou a ser boa companhia hoje, pois não?
- Não, nada disso.
- És tão simpático e eu aqui com as minhas paranóias... mas se estiver a ser chata, diz.
- Não, S. está tudo bem.
- Ás vezes sou um bocadinho chata, não sou?
- Um bocadinho.
- Ohhh, estou-te a aborrecer?queres ir embora?
- Não!
- Oh, agora ficaste outra vez chateado...
- Não S. para com isso.
- Não estás chateado?
- Não.
- Queres ir a outro sítio?
- (tal e qual o que estão a pensar, mas não é muito bonito de descrever...)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Inês Gonçalves

Na minha opinião, o rosto mais bonito da televisão portuguesa.

e ainda por cima percebe de futebol.
de certeza que tem um defeito terrivel...



e não acho nada bem, porque para um homem que gosta de futebol, assim é difícil concentrar-se...

Fábula mal contada

Há uma fábula muito conhecida do sapo e do escorpião.
Em que o escorpião pede ao sapo para o transportar de uma margem do rio, para a outra. O sapo contesta o pedido do escorpião com medo que este o ferre com o ferrão venenoso. Ao que o escorpião responde que se o ferrar, também ele se "ferra" porque não sabe nadar.
O sapo acede ao pedido do escorpião e ao transportá-lo para a outra margem do rio, sente a picado do seu ferrão venenoso. E ambos morrem, ao que o escorpião explica ao sapo antes de morrerem, que não resistiu à sua natureza e o picou.

Mas esta fábula está mal contada. É impossível que um sapo ignore a natureza do escorpião. Se um sapo transporta um escorpião ás costas, é porque está decidido a morrer.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Um post completamente fútil e assustador, com a palavra "sapatos" que é o mesmo que "sexo" para o universo masculino

E diz ela assim com a maior das naturalidades:

- Ontem em arrumações descobri esquecidos no armário, uns sapatos que nunca usei..
- (erguer das sobrancelhas num misto de surpresa, mas só numa pequenissíma fracção de segundo)
- Comprei-os no verão passado...ainda tem a etiqueta..
- São virgens então... O verão também está ai à porta
- Mas já não se usam..
- Não?!
- Não.
- Não achas que já tens sapatos a mais??
- Os sapatos nunca são de mais! Os sapatos são nossos amigos!
- Sim! Os sapatos alegram-vos a existência! (ar de troça)
- Não fales mal dos sapatos que tantas alegrias nos dão.
- Um par de sapatos dá-te alegria??!!!
- Voces homens nunca vão entender...
- Será que um psicólogo entende..
- Não sejas parvo. A vida pode correr muito mal. Podemos ter levado com os pés do nosso namorado imbecil. Podemos ter pisado cócó de cão. O chefe pode ter berrado connosco daquela maneira que até os cabelos esvoaçam tamanha fúria. Mas depois entramos numa loja, os olhos batem nuns sapatinhos, e esquece-se tudo! É um daqueles momentos à filme, em que a camara roda á nossa volta. Somos nós e os nossos futuros sapatos. Fazemos-lhe festinhas, dizemos «vou levar-te para casa, tomar conta de ti..» juramos-lhe amor eterno
- Arrgggggg...... Mesmo que depois fiquem fechados num armário meses a fio..
- Não importa. Um dia vão ter a sua oportunidade.
- Ou então não..
- Não interessa a sua simples existência é motivo mais do que suficiente para alegrar uma mulher.
- Coitados...
- Dos sapatos?
- Não, dos psicólogos no desemprego...



e depois assustei-me! Imaginei dezenas de lojas, todas elas sempre ao lado de uma sapataria e uma mulher em frente à montra completamente embevecida e a exclamar:
- Ah! Mas que bem que este moreno combina com os meus sapatos novos...

Só me pergunto, onde é que elas os vão guardar...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

podia ainda ser outra coisa

Então é assim
uma vida não se vê de fora
varia consoante quem a vê
e o que vemos nos outros é muitas vezes(quase sempre) o que nos convém:
o que não temos e queremos ter
o que temos e não queremos ter
Uma vida nunca é aquilo que nos parece

e assim continuamos a não saber nada uns dos outros
por muito íntimos, por muito perto
estamos sempre do lado de fora
E de vez em quando alguém diz:
"Não sabes nada de mim"
E de vez em quando alguém ouve:
"Não sabes nada de mim"
e é dificil saber o que é pior.

E mesmo que a pessoa venha com uma biografia
falhamos na mesma
porque o mais terrivel de uma vida é a experiência do tempo
e talvez seja esse falhanço que torna as biografias necessárias
provam que a vida é suportável, ou seja,
pode ser sempre outra coisa

como a vida de Jane Digby
uma aristocrática inglesa nascida em 1807
falecida septuagenária em 1881
depois de ter vivido em mansões, grutas, tendas no deserto
de casamento em casamento, de amante em amante
deixou seis filhos, levados pela morte ou pelos ex-maridos
chegando á meia-idade sem nenhum
quando decidiu percorrer a Síria, tinha 46 anos
e foi então e só então
que finalmente se apaixonou para sempre
ele não era da sua raça
nem da sua religião nem do seu meio
nem da sua idade.
Ele mudou com ela e ela mudou com ele

A vida podia ainda ser outra coisa.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Aqui me confesso

E para os muito curiosos, um site à medida. Mas sejam criativos nas perguntas e não me questionem sobre a vida sexual das minhas peugas.

O link já está ali ao lado

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Espero bem que não, a propósito, feliz ano novo!

Ela - E que esperas do ano novo?
Eu - Do ano novo? Nada.
Ela - Nada? Nem um desejo?
Eu - Não, nem um.
Ela - hummm
Eu - Dois
Ela - E se amanhã à noite te aparecesse um demónio e te dissesse: - Esta vida que vives agora e que viveste até agora, apartir de amanhã vais ter de voltar a vivê-la mais uma vez e inumeras vezes mais para todo o sempre. E não haverá nada de novo nela, e toda a alegria e cada pensamento e suspiro e tudo o que for infinitamente pequeno ou grande na tua vida terá de voltar para ti, na mesma sucessão e sequência, mesmo até este momento e até eu próprio. - Não te passavas? Não amaldiçoarias o demónio? Ou terás já vivido um momento extraordinário e rejubilarias de alegria?
Eu - Não rejubilaria de alegria, mas também não amaldiçoaria o demónio, só lamentaria não ter bebido mais champanhe, comido mais pasteis de bacalhau e feito mais amor.
Ela - Ora ai está um belo desejo para o ano novo!
Eu - Compraste o bacalhau?
Ela - Claro! O champanhe?
Eu - Já está no frio.
Ela - Achas que ele aparece?
Eu - Espero bem que não....

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Os verdadeiros herois, chegam e deixam chegar, vivos a casa


O Miguel sempre que conduzia, sentia-se um super homem...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Sair

Sair dos dias. sair de nós.
é bom
ocupar corações
. cair no do outro. lembrar. sair dos trabalhos e trambolhões. do dinheiro e confusões. das palavras que nada querem ou conseguem dizer.
é bom, é muito bom
fazer gazeta
. faltar. saltar. comer pão. não ir . não responder. desmurgulhar. desfazer. desacontecer
cair na doçura do acaso. trocar de caos. respirar ao contrário. rebolar na rede, na relva e na parede. sem pausa e sem razão.
é bom, é bom é muito bom
ir agora ai e depois e depois e voltar abraçado.
comer uma omeleta sem pão e pôr o despertador para acordar mal se comece a dormir. dizer disparates em voz alta que arrepiam a pele. e não descansar de tropeçar nos beijos e abraços
é muito bom e faz muito muito bem
sair do corpo
. cair na alma e na cama. de chapão. sem ver nada à frente. ser absorvido. perder o norte. o fio e o pavio. os sentidos. e gostar
é bom, é muito bom e faz muito bem
sair da vida
. sofrer. acabar. permanecer no vapor quente de um banho cansado. confessar. pedir. perdoar. es vaziar. ficar vazio
é bom, é tão bom
fazer. fazer outra vez. e outra. e como se fosse a última. fazer o que não se está a fazer. contrariar os dias. acordar de noite e dormir de dia.
é bom, sabe bem, mesmo bem
entrar em fevereiro para junho e sair em janeiro.
é tão bom e faz tanto bem, que não apetece regressar. entrar aqui. daqui de onde nunca se sai. e ficar

domingo, 22 de novembro de 2009

E ficamos em estado de choque

Telemóveis, internet, e-mail, msn, facebooks... confesso que me irritam. E confesso também que já não vivo sem. Viciam e dão menos do que roubam. Roubam tempo. Mantêm-nos em contacto. Com, mas sem tacto. Matam. O toque. Não há toque, pele com pele. E a falta de toque pode ser silênciosamente dolorosa. E vê-se no rosto das pessoas. Que não têm toque. E sem se aperceberem, chocam. Chocam umas contra as outras. só para sentir. Sentir qualquer coisa. Sentir o toque.
Dantes as pessoas encontravam-se, agora andam aos encontrões. Chocam umas com as outras. Ás vezes violentamente, tal a ânsia de se sentirem. De sentir o toque.

E não, não falo dos encontros em que as pessoas são apresentadas umas ás outras. Nem os combinados. Nem os previsíveis. Falo dos verdadeiros encontros. Aqueles em que duas pessoas se encontram. Sem nada terem feito para se encontrarem. Encontravam-se pura e simplesmente. Contra tudo o que seria de esperar. Porque nunca acontece.

...ás pessoas que sonham em encontrar. Quem sonha assim já está meio derrotado. Porque em vez de esperar pelo encontro, já está a procurar. Imaginando a pessoa que quer encontrar. Como se ela já existisse com as medidas que o coração encomendou. O verdadeiro encontro é aquele em que nem um nem outro é procurado. A pessoa que se encontra tem que ser desconhecida. para se poder conhecer. Sem exigirem uma á outra o que não têm e o que não são, nem o que não querem vir a ser.

O verdadeiro encontro é precedido pelo choque. E ficamos em estado de choque. Aturdidos. Não sabemos bem quem somos e trocamos os nomes. As moradas e numeros de telemóvel. E a curiosidade de conhecer melhor a outra pessoa sente-se como uma espécie de alegria. E as perguntas só de serem feitas, já fazem bem. E passam-se horas em conversas sem interesse porque o verdadeiro interesse é o que faz as horas passarem sem se verem. E damos por nós a desejar que aquele seja o último encontro. O último de muitos que nos levaram até ali.

Podemos nos esconder, refugiar, resignar por aqui, mas isso só contribui para que um dia tenhamos um choque. E um choque é sempre um choque. Nada garante que não nos possa magoar. Pode. E pode doer.

Mas não será maior a dor de ausênsia de toque do que a dor do choque?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

OOOHH Mãe!! Está um estranho na minha toalha!!!

Últimamente tenho-me (desviado) cruzado com míopes. E todos se queixam que ou não gostam de usar óculos, ou as lentes de contacto incomodam. Automáticamente regresso atrás no tempo, aos meus (horríveis) tempos de juventude cegueta. E lembrei-me deste post que escrevi há tempos:


"Já lá vão uns três anos e ainda hoje, ao acordar, tenho o impulso de esticar o braço à mesinha de cabeceira, para apanhar os óculos. E para minha agradável surpresa, estes já lá não estão. Graças à cirurgia de correcção de miopia.Comecei a partir óculos logo nos primeiros dias de uso. Era uma desgraça e o meu pai já ponderava seriamente emigrar para França tal era a despesa! Se não os partia no recreio da escola, era na minha rua a jogar à bola, ou em casa à porrada com o meu irmão mais velho por este me chamar de caixa d'óculos ou quatro olhos, ou no quintal a subir ás árvores, ou melhor dizendo, caindo destas abaixo... E como se não bastasse era o guarda-redes de futebol da turma! Consegui convencer os meus colegas, dizendo-lhes que os outros meninos nunca iriam chutar contra um puto de óculos. Ora, a realidade não é bem assim, e toda a gente sabe o quanto uma criança pode ser cruel. E lá estava eu, de óculos postos, tal alvo perfeito! E o certo é que resultava...como alvo! era tão bom como alvo que era rara bola que entrasse na baliza. Todas me acertavam até que uma bola mais certeira me acertava em cheio nos óculos e vazava-me uma vista que depois tinha que ir procurar para reimplantar...ok ok ignorem esta parte.Mas para mim o pior era ir à praia. Só um míope que usa ou usou óculos é que sabe do que falo. Ora imaginem, depois de um bom jogo de volei de praia (sem partir os óculos) com os corpos suados e cheios de areia, a malta sai disparada em corrida para dar um mergulho no mar. Eu saia disparado na direcção oposta para deixar os óculos na toalha. E quando chegava à água já não sabia dos meus amigos e tinha que esperar que alguém levantasse o braço para eu os localizar no mar. E lá ia eu a nadar em direcção do primeiro braço no ar.- «Então malta, a água tá mesmo boa!» - E punham-se todos a olhar para mim. E eu zás!Para cima de um e toma lá água e tal e...quase que sou afogado por me estar a meter com completos desconhecidos....os meus amigos estavam um tanto ou quanto mais ao lado...Mas pior que isto era ao sair da água, descobrir onde é que estava a minha toalha no meio do maranhal de chapéus de todas as cores que para um míope, não passam de um gigantesco borram indestinto! E não várias vezes acordei na toalha ao som de um histérico: "OOOHHH MÃE!!! ESTÁ UM ESTRANHO NA MINHA TOALHA!!!", quando não era: "TENS UM SEGUNDO PARA TE PORES A MILHAS OU VAIS NÚ PARA CASA!!!"E pronto, podia continuar aqui a contar um rol de histórias intermináveis da odisseia de um jovem de óculos e como este os partia das maneiras mais incríveis. Isto só para vos dizer que se tiverem oportunidade de corrigir alguma coisa em vocês que vos vá melhor a vida, não hesitem! Eu ao livrar-me dos óculos, a primeira coisa que fiz foi vender a minha empresa de cosmética automóvel, tirar um curso de Nadador-Salvador e ir trabalhar para a praia rodeado de belos bikinis e fios dentais. Algo impensável há uns anos atrás para um jovem míope!

Então miopes?sei ou não sei do que é que falo? Então vá, vão lá marcar a cirurgia que não custa nada (só alguns euros mas que são muito bem gastos).

sábado, 14 de novembro de 2009

As mulheres que eu amo

As mulheres que eu amo cheiram a jasmim e a pecado.
não têm fórmula e começam onde a regra acaba. falam-me com o corpo, porque sabem que escuto com os olhos. misturam palavras decorosas com beijos ousados. são como um instrumento musical avariado porque nunca repete o mesmo som na mesma pele. é uma dúvida que só em mim se esclarece. uma descoberta constante mesmo na repetição dos dias. quando se entrega sem reservas, tem no olhar terno a fragilidade de quem suplica no corpo a violência do amor. que sai de si sem medo do prazer e que se abandona ao que não entende.

As mulheres que eu amo reenventam-me no olhar. têm no rosto o sorriso de quem teve saudades minhas. deixam-me ser criança quando lhe roubo beijos traquinas. são o sobressalto ao acordar e o alívio de a encontrar. são o abraço no fim da discussão. o beijo de paixão.

As mulheres que eu amo vestem na pele as intermitências da vida. tem defeitos que brilham com luz própria. endividam-me, porque dou tudo o que sinto e o que não sabia sentir e as memórias são um espólio sem moeda de troca. roubam-me a noção do que é suficiente porque o bastante não chega. e esgotam-me
esgotam-me tão rápido como me preenchem. num equilibrio constante de onde o tempo se faz fácil.

As mulheres que eu amo assustam-me.
Porque não têm uma explicação razoável.

Porque é nelas que reside a minha paz interior como a calmaria no olho da intempérie.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O que é que eu e o José Manuel Saraiva temos em comum?

"Que estranho destino é o meu que apenas me consente paixões ardentes e me faz esgotar em amores improváveis."

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

E ditadoras?

Ditadores vivos conhecidos:
Kim Jong II - Coreia do Norte
Isaias Afewerki - Eritreia
Os irmãos Castro - Cuba

Falecidos:
Hitler
Staline
Mussolini
Franco
Salazar

mas?! Então e mulheres?? Não há mulheres ditadoras?! Estranho... E porquê? Deus me fulmine se eu sei... mas desconfio que as tendências autoritárias das mulheres são exercidas em privado. E lembro-me do meu amigo Francisco que depois de uma experiência de completa escravidão doméstica e sexual, resolve ir comprar tabaco. Volta a casa passado uns meses:

Olivia - Meu grande estupor!! Por onde andaste tu?? E a fazer o quÊ?? Deixas-me aqui sozinha e desapareces assim??
Francisco - Fui comprar tabaco.
Olivia - Tabaco?? Eu dou-te o tabaco!!! Faz mas é favor de entrar que temos muito que conversar..
Francisco - Epá...agora não posso. Não é que me esqueci de comprar os fósforos?....

(e fico aterrado(ou não) a pensar(desejar) num mundo governado por uma ditadora (mas que seja jeitosa...))

Salvem o Miguel, mas com moderação...

Não. Não é a Maitê Proença, é o Rob Schneider. Vejam as diferenças.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Tenho peito. Agora sou uma mulher*

Aluga-se quarto a troco de sexo
A única estratégia do PS e do Governo é oscilar entre a cenoura e o pau, com prevalência para o pau.
Rede de mulheres bonitas burla bancos.
Segundo a universidade de Leeds, o beijo transmite um germe que aumenta a resistência imunológica das mulheres.
Tenho peito, agora sou uma mulher.*
O responsável pelo planeamento familiar chinês, propôs a criação de casas conjugais e hoteis de curta permanência para que milhões de migrantes chineses separados das familias possam consolar-se sexualmente.
A Elsa Raposo converte-se ás freiras Carmelitas.
Os portugueses são muito maus no sexo.
Acabamos de o fazer na praia.
Dois macacos aprenderam a usar o dinheiro. Isto gerou lutas e prostituição no laboratótorio.
Para muitos, o clitóris fica numa zona que vai entre o umbigo e o útero.
Ter orgãos de substituição será uma realidade num futuro próximo.
Francisco Louça foi detido com 16 anos e nas férias chegou a trabalhar como servente de pedreiro.
Joana começou a sua actividade sexual aos 12 anos por causa de uma profunda carência familiar.
Aos 15 anos puseram-lhe 2 prostitutas no quarto e isso marcou-o**
Diz-se que depois do que aconteceu, Michael começou a procurar prostitutas não para fazer sexo, mas para conversar.
Dezenas de pessoas evaporam-se todos os anos nos bosques da Rússia à procura de cogumelos. Hipótese mais provável: São comidos por ursos.

*Kate Moss
**Michael Jackson

Frases que se podem ler na revista Sabádo.
(uma das frases é falsa, alguém adivinha qual?)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Anda tudo a jogar farmville, mafias e afins... só posso chegar a uma conclusão:
os namorados/namoradas são péssimos, ou para quê um namorado/a se posso ter uma quinta de borla?

(e eu que ia escrever sobre fastwedding's...)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Se continuar a escrever parvoíces como o último post, é porque ainda estou com febre

era nestas alturas que eu não me importava de estar na Russia, que segundo dizem, curam a gripe com Vodca

(mas bem acompanhado de preferência, que agora faz lá muito frio...)

As novas aventuras da Anita




Na terça-feira, estive a ajudar um amigo que vai mudar de casa. E no meio da confusão de caixotes, descubro um exemplar da revista...nada disso. Um exemplar da Anita!!Lembram-se da Anita? Anita no jardim, Anita na praia... Nos meus tempos de adolescente, via-se a Anita por todo o lado!! E agora eu pergunto-me? O que será feito da Anita? E depois lembro-me do Nuno Gomes...

Mas e porque é que não há uma versão actualizada da Anita? E dizem vocês: «Porque são histórias que já não fazem qualquer sentido, tendo em conta a realidade depressiva portuguesa»" Pois... E hoje, em vez de uma Anita no jardim, teriamos uma Anita em Monsanto. Que é uma zona verde e cheia de animais, e ainda ganha uns cobres que a crise está difícil. O enredo não muda assim tanto e é muito mais actual.

Em vez de Anita descobre a música, teriamos uma Anita descobre a droga. Resumo: Anita vai a uma discoteca, alguém lhe oferece uma bebida com ecstasy e tal como uma lição de música, começa a ouvir lindas melodias por todo o lado e a sentir um calor enorme, afinal a música altera o estado emocional.

Anita na festa de anos? Quem fosse ler esta história a um filho, ainda não tinha acabado o primeiro capítulo e já o miúdo estava a tentar sufucar-se com a almofada. Seria mais actual Anita perde a virgindade. Ou Anita e a iniciação ao álcool. (embora isto também acontecesse nos meus tempos...)

Outro grande títlulo actualizado em vez de Anita na quinta, seria Anita e a gripe suína. Há o drama de uma rapariga que escapa por pouco a uma pandemia depois de ter tido uma noite escaldante com o Zé, o guardador de porcos. Mas que acabaria infectada num centro de saúde, porque, imagine-se...não usou protecção... (máscara. leia-se...)


(não liguem, isto sou eu frustado por estar a incumbar uma gripe B em vez de uma gripe de nível A...)
(é verdade, quando questionei o meu amigo sobre o estranho caso da revista Anita num dos seus caixotes, ele encolheu os ombros e disse que deviam ser da filha, mas a filha tem seis anos, ou seja, nasceu em 2003...estranho, muito estranho...)