sábado, 25 de outubro de 2008

Caro anónimo que acha que devo ser gaja

Por acaso até gosto de estar na cozinha.
Por acaso até me emociono e arrepio até à medula quando vejo filmes como "Magnólia" e "Do céu caiu uma estrela".
Por acaso raramente adormeço e viro-me para o lado depois de fazer amor.
Por acaso até tenho e rego as plantas.
E por acaso não sou mulher, e se fosse? Ser mulher por acaso é ser menos?
E se fosse homossexual? Não seria humano?

Não, não sou, sou um homem normal, farto desta merda de gente pequenina com o PRECONCEITO estampado na testa. É por causa destas merdas que somos o país que somos. De gente pseudo-académica que diz que se fosse americano votava Obama porque é de cor! Foda-se!!!Mas não se devia votar pela ideologia? O PRECONCEITO é filho da ignorância, e só quem se liberta e voa é que vê como são pequeninas a as pessoas lá em baixo.

Será que também sou pedófilo porque faço voluntariado numa associação de crianças em risco? Sim,
porque uma das "pobres" mãezinhas de crianças que passam fome.
Porque uma dessas "mãezinhas" que estoiram o rendimento mínimo garantido no café da esquina porque não têm trabalho.
Porque estar em casa a educar dar atenção a uma criança não é profissão.
Porque uma dessas "Mãenzinhas" essas que continuam a ter filhos, uns atrás dos outros, porque há sempre um subsídio. Porque há sempre alguém que acaba por tratar deles, nem que seja o traficante, porque até se ganha bem a traficar.
Porque uma dessas "mãezinhas" acha que não é normal um homem de 34 anos, solteiro, dedicar algum do seu tempo a dar um pouco de si a estas crianças. Crianças que pouco mais têm do que a roupa no corpo. Que nos cravam os olhos incógnitos e o que neles se vê é o que está ausente. Ausencia de tudo, de tudo o que eu tive e quero partilhar.

Desculpem o desabafo, e acredito que o comentário anónimo no post anterior não fosse com sentido perjurativo, mas ás vezes apetece-me gritar até rebentara a normalidade num mundo de anormais.

6 comentários:

Metade da Laranja disse...

Gostei do "Por acaso..."...mas até são por acasos felizes.

E também concordo quanto à questão das ideologias e que devamos seguir o justo e o certo, embora nem sempre prevaleçam.

Bjitos.

Metade da Laranja disse...

Deixei resposta aos teus comentários (só depois vi o resto...ups)...
E sim, fizeste-me sorrir :)...por isso é que não te insulto, senão...lollll ;)

Patti disse...

Por aqui os anónimos não existem, nós é que lhe damos vida.
Ignora.

Paulo disse...

laranja
não prevalecem porque na maioria das vezes ficamos calados

patti
o anónimo mandou-me um e-mail e afinal não é anónimo nem o comentário era perjurativo, eu é que interpretei mal e acabei por ser vítima do próprio preconceito. Mas foi bom. Precisava mesmo de soltar aquele grito da última part do post

stranger disse...

Se todos esses 'por acaso' fazem de um homem, uma mulher, então eu ´sou lésbica!

Mesmo que o post tenha sido gerado por uma má interpretação valeu a pena o 'grito' ;)

C. Moniz disse...

Houve uma parte deste post que me levou ao primeiro verão que passei lá no lar…
“(…)Que nos cravam os olhos incógnitos e o que neles se vê é o que está ausente. Ausencia de tudo, de tudo o que eu tive e quero partilhar.”

Fez-me pousar sobre um pequeno momento: naquele dia fiz o horário da tarde e, como muitas das tardes de um verão, aquela tarde foi passada no exterior. Uma das miúdas mais crescidas dirigiu-se a mim, dizendo-me que o miúdo com quem me encontrava sentada no chão a desenhar com giz tinha um olhar diferente, talvez um olhar triste.
De súbito olhei-o nos olhos e fiquei neles como que presa… apesar de conhecer a historia dele, de este ainda nem saber falar direito, ou de saber falar à maneira dele, questionei-me e voltei-me a questionar-me se tais olhos tão vivos e ao mesmo tempo tristes estariam de tal como pelo que se tinha passado num outro passado, talvez não tão distante daquela altura.
Demorei a voltar a mim e só o fiz quando reparei que quem possuía aqueles olhos estava a pronunciar: “Cá…? Cáaaaaaaa?!”, estava ele na verdade a chamar por mim. Sorri, acariciei-lhe o rosto e voltei a desenhar com ele.
Talvez aqueles olhos estivessem tristes por um passado ter existido, mas de certo que hoje, praticamente quase 3 anos depois, estão mais vivos, muito mais vivos e sem duvida, felizes, porque não há dia sem noite, tal como não há noite sem dia, se é que me entendes ;)

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C.M.