sábado, 6 de dezembro de 2008

13


Fui apanhado no meio de uma festa de aniversário, no café aqui do bairro. Ao que parece uma adolescente fez 13 anos.
Confesso que fiquei com inveja. Do tempo em que tudo era novidade e sabia a descoberta. Quando tinha treze anos, o mundo era mais simples. Tinha mais cor. As palavras mais significado e as pessoas mais verdade. Ou era a ingénuidade da idade. E no entanto não podia dizer que fui um rapazinho feliz. Gostava de estar sozinho e encontrava-me prisioneiro de duas estruturas rígidas. A escola e a família. Lembro-me de passar os meus verdes anos num grande estado de inquietação, à beira da revolta. Estava apaixonado por uma rapariga, mas não era correspondido. E não fazia ideia do que era a paixão. Não tinha a mais pequena ideia do que é que se fala quando se fala de amor. Era tímido e desajeitado. O meu melhor amigo era um cão ainda mais desajeitado do que eu. E depois estava mentalizado que o sistema de valores dos meus pais e professores estava errado. Só que não conseguia traduzir por palavras esse meu protesto. Nada do que o que eu fazia parecia funcionar. Nem com o amor nem com os meus valores.

Mas a verdade é que tinha uma paixão enorme em viver. Os cheiros andavam no ar, a descoberta das sensações e até das lágrimas. Eram quentes e as raparigas criaturas de sonho.
Mas agora ao olhar para esta adolescente, não só sinto inveja mas uma certeza. A certeza de um amor não correspondido e de um rapazinho que foi feliz sem o saber.

4 comentários:

Patti disse...

E estas lembranças são grandes posts.

Tita disse...

Tens toda a razão... Eu tenho saudades de emoções à flor da pele, em que tudo era uma felicidade para toda a vida ou uma tragédia sem retorno. Agora complicamos o que é simples e desligamos do que é importante. Digo eu.
Gostei muito.
Beijinho

XR disse...

Aos 13 tudo parecia intenso ... brigas que pareciam impossíveis de resolver mas que um dia depois tinham passado à história; a malta de um bairro contra a do outro por causa de um descampado em terra de ninguém que cada um reclamava como "o seu campo da bola"; joelhos esfolados das quedas da bicla; tardes perdidas a jogar às cartas na casinha da árvore; o primeiro beijo; o primeiro soco; tanta coisa ...

Obrigado por me teres despertado essas memórias.

:*

[ rod ] disse...

Há 20 anos vivi esta festa que é conhecer o início da adolescência e devo dizer... já não se há epóca boa como aquela.

Abçs meu caro,






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