segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

sons do silêncio

Mais uma vez o destino. Continuo a acreditar que somos nós que fazemos o nosso próprio destino, mas histórias como as do Nuno fazem-me abalar esta crença.
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O Nuno sempre sonhou ser um homem livre. E descobriu cedo que podia sê-lo através das viagens. A cada viagem que faz, sente uma plenitude e paz de espírito que não encontra em mais nenhuma forma de vida. E o Nuno já visitou mais de cem países com a sua inseparável ferramenta de trabalho, a sua máquina fotográfica.
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Numa viagem à ilha de Madagáscar, Nuno apanhou malária que o deixou uns dias de cama com febres altas. Febres que o levaram ao delirium e a ter visões. Nuno conta que num desses delíriuns, se via a casar com uma indigena e a ter um filho desse casamento. Passando a febre e de novo com saúde, Nuno volta à estrada e a mais uma viagem, no entanto aquela visão não lhe saia da cabeça, e várias vezes se interrogava como seria improvável que uma indigena quisesse casar com ele.
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Depois de Madagáscar, Nuno enceta uma viagem pela America Central, fazendo várias reportagens fotográficas para revistas de viagens e de turismo e em mente um album fotográfico. Começando na cidade do México, passando pela Guatemala, Belize, Costa Rica, Cuba, sempre para Sul e sem dar conta dos dias, Nuno acaba por se encontrar em plena selva amazónica, na parte colombiana a fotografar uma festa indigena Boi-Bom-Ba.
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Boi-Bom-Ba, é uma festa de dança e música tradicional indigena, que decorre durante vários dias. Os ritmos são alucinantes e a alegria contangiante. Nuno não pára de disparar a sua Leica, até que dá de caras com uma rapariga de cabelos pretos que desciam pelas costas, boca lindíssima e um olhar meigo, mas penetrante. De ínicio ficou "gelado" e sem palavras. Entendeu imediatamete pela voz do coração que aquela mulher lhe estava destinada. Passado o choque ínicial, Nuno tentou meter conversa com aquela indígena lindíssima, mas a comunicação verbal foi nula. Não recebeu qualquer palavra em troca. Pensou que fosse por ser branco, já com trinta anos e ela uma india adolescente.
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Nuno não desistiu e lá lhe conseguiu arrancar algumas palavras. Ficou a saber que se chamava Carol e que uma irmã participava na festa. Entretanto mais tarde veio a saber mais pormenores sobre Carol e a familia. E soube também que tudo na sua vida ia mudar. Nuno permaneceu mais tempo do que previa na pequena localidade Colombiana, mas foi o suficiente para quebrar algumas barreiras e ser aceite por aquele povo indigena e conviver com a famlia de Carol. No entanto, Nuno tinha compromissos profissionais e tinha que regressar a Portugal.
Sem a promessa de um dia regressar, despediu-se de carol e da familia e abalou de regresso a Portugal.
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Já em Portugal e passado alguns meses, Nuno sentia que estava pronto para mais uma aventura e decidiu partir para Nova Iorque. Era dezembro de 1999 e seria um bom local para passar o Ano novo.
Quando estava a fazer a mala, apercebeu-se sem qualquer razão aparente, que estava a pôr dentro da mala a certidão de nascimento. Como se tratava de um documento e não pesava, acabou por leva-la.
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No aeroporto de Lisboa procurou o placard das partidas e a confirmação do voo para NY. Mas naquele instante algo lhe despertou a atenção. Um voo com destino a Bogotá. E quando deu por ele, estava no balcão da Iberia a trocar o bilhete de NY para Bogotá. Passado 24 horas estava de novo na Colombia. A força maior que sentiu quando mudou o destino da viagem era a Carol que não lhe saia da cabeça, nem do coração.
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E assim foi, passado uns tempos em que namoraram às escondidas, por fim Nuno pediu ao pai de Carol permissão para casar com ela. Não foi fácil, porque os povos indigenas da amazónia não vêem cm bons olhos o casamento entre indios e brancos, mas Nuno tinha sido rapidamente aceite pela família de Carol e o casamento foi aprovado. Passado um ano a viver na amazónia com Carol, esta engravida e dá á luz um menino que se viria a chamar Angel. E tal como na visão em Madagáscar, o destino cumpria-se.
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Foi coincidência Bogotá aparecer no placard de partidas? Foi o destino que juntou Nuno e carol? O destino existe? Continuo sem ter certezas, mas o arrepio que senti ao ler esta história foi bem real.

Podem ficar a conhecer a história toda, com todos os pormenores e muito mais sobre um mundo e uma cultura completamente oposta á nossa, no livro do Nuno Lobito:



A história de um homem invulgar que trocou tudo pela concretização de um sonho. Lê-se de um fôlego só, numa tarde chuvosa de domingo.

8 comentários:

Sayuri disse...

Bom dia!

Já está na minha lista! Gostei muito da história...

Metade da Laranja disse...

Olá Cisne,
Não consigo entrar no teu blogue em minha casa sem que este faça com que todas as janelas que tenho abertas fechem todas, sem mais nem menos... enfim...
Há um desafio para ti no meu blogue. Se puderes, passa por lá :)
Bjitos

Astrid disse...

Boa indicação. Obrigada. Uma indígena com um nome invulgar... Já estive em Parantins na festa do Bumba-meu-boi.
Bjs...

Sanxeri disse...

Hum, ando a precisar de um bom livro. Adorei o texto em forma de sugestão. ;)

Vertigo disse...

Obrigada pela sugestão :)

Grão de Areia disse...

E por isso às vezes o silêncio fala mais que muitas palavras.

Engraçado que ando precisamente, nesta fase da minha vida, a questionar-me se de facto existe um destino. Nunca acreditei.
No que diz respeito a esta área da vida de cada ser humano, e havendo tanta gente no Mundo, é difícil acreditar que apenas uma encaixa connosco, que apenas uma nos está destinada.

É bom acreditar, contudo, ainda que ausente de demais crenças no destino, que há talvez oportunidades para o Amor, para momentos felizes... Não só para os outros, mas também para nós.

Faz falta histórias destas para continuar a acreditar. Ou simplesmente para querer continuar a acreditar.

Thanks for sharing!

;)

Grão de Areia disse...

A propósito de destino, ainda hoje, um grande amigo partilha comigo, à hora de almoço, uma frase que alguém lhe soprou:

"Man meats his destiny on the road he took to avoid it."

E a partir daqui, muito se pode pensar. Ou não.

nlphotographer disse...

Gostei da forma como descreveu o meu livro...
Obrigado
Nuno Lobito